IMPACTANTE-Memória Alice Realidade Rosa emociona público e lota o Cine Teatro Cuiabá

Com casa cheia nos dois dias, espetáculo escrito por Flávia Pires e dirigido por Nariel Iatskiu reuniu diferentes gerações e provocou reflexões sobre memória, maternidade, luto e saúde emocional


Da Assessoria de Imprensa

O espetáculo Memória Alice Realidade Rosa ocupou o palco do Cine Teatro Cuiabá nos dias 17 e 18 de setembro e encerrou sua temporada de estreia com casa cheia nas duas apresentações. A montagem, baseada no texto de Flávia Pires e dirigida por Nariel Iatskiu, emocionou o público ao abordar, de forma sensível e poética, os caminhos da memória, os afetos da infância, a maternidade, o luto e a difícil convivência entre as lembranças idealizadas e a realidade.

No segundo dia, a plateia contou com a participação de estudantes da Educação de Jovens e Adultos da escola Fernando Leite de Campos de Várzea Grande e dos escoteiros do Grupo Uniselva. A presença dos grupos ampliou o encontro entre diferentes gerações e reforçou a capacidade do teatro de criar espaços de diálogo, identificação e reflexão coletiva.

Memória Alice Realidade Rosa é uma realização do Instituto INCA-Inclusão, Cidadania e Ação com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso e apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

ATUAÇÃO X REFLEXÃO

Em cena, Alice, interpretada por Danielle Souziel, revisita sua própria história acompanhada por Memória, vivida por Jasmyne Vitória, e Realidade, interpretada por Eli Poema. Entre lembranças, fantasias, ausências e afetos, a personagem procura compreender a relação com Rosa, sua mãe, e reorganizar aquilo que guardou durante toda a vida.

A montagem chamou a atenção pela integração entre atuação, direção, cenário, figurino, iluminação e sonoplastia. A cenografia e os figurinos de Déa Okamura ajudaram a construir um universo situado entre o sonho e a realidade. A iluminação de Priscila Freitas conduziu as mudanças de atmosfera, enquanto a sonoplastia de Caju colaborou para aprofundar a dimensão emocional da narrativa. A voz de Vera Capilé deu presença a Rosa, personagem que atravessa toda a história como lembrança, ausência e desejo.

Os depoimentos publicados após as apresentações revelam o impacto provocado pela obra. A escritora e crítica Aline Wendpap definiu o espetáculo como uma peça que “não oferece respostas prontas, mas nos convida a permanecer nas perguntas”. Já Cris Soares destacou que a montagem faz o público refletir sobre “sua própria busca de si, seus traumas, perdas” e sobre novas formas de organizar a memória e encarar a realidade.

A direção de Nariel Iatskiu também foi reconhecida pela maneira como articulou as diferentes linguagens da cena. Na avaliação de Aline Wendpap, é na direção que a obra encontra sua grande força, ao reunir “um elenco afinado” e conduzir, com sensibilidade, as atuações e os elementos visuais e sonoros do espetáculo. A produção de Alessandra Grandini foi igualmente destacada pela autora, que ressaltou o cuidado presente em cada detalhe da realização.

A força das atrizes foi um dos aspectos mais celebrados pelo público. Danielle Souziel construiu uma Alice atravessada, ao mesmo tempo, pela mulher adulta e pela criança que ainda habita suas recordações. Jasmyne Vitória imprimiu dinamismo e delicadeza à Memória, conduzindo Alice por suas lembranças, enquanto Eli Poema deu firmeza e precisão à Realidade, responsável por confrontar as idealizações da protagonista.

Mais do que apresentar uma história, Memória Alice Realidade Rosa convidou cada pessoa da plateia a revisitar seus próprios espaços interiores. O escritor e dramaturgo Airton Lacerda definiu a experiência como uma entrada em um universo formado por “planetas, luas, pensamentos” e cômodos internos que permanecem trancados até serem revisitados por obras como essa.

“Saí do Cine Teatro Cuiabá profundamente reflexiva”, registrou Aline Wendpap. Para a escritora e crítica, o maior mérito da obra está justamente em despertar no público o desejo de olhar novamente para as próprias memórias.

O encontro entre tantas mulheres na criação de uma obra sensível, visualmente marcante e emocionalmente profunda também foi ressaltado. Autora, diretora, atrizes, produtoras e profissionais da equipe técnica construíram coletivamente uma montagem que trata a saúde emocional com cuidado, sem simplificar a dor nem oferecer soluções fáceis.

Ao final das duas noites, os aplausos e os relatos emocionados confirmaram a conexão estabelecida entre palco e plateia. Com o Cine Teatro Cuiabá lotado, Memória Alice Realidade Rosa transformou lembranças íntimas em uma experiência coletiva e mostrou que olhar para o passado pode ser doloroso, mas também pode abrir caminhos para compreender, ressignificar e seguir vivendo.


 

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