Por Beatriz Saturnino – Da Assessoria de Imprensa
O projeto Ponto de Cultura INCA em Rede foi concluído após uma intensa trajetória de formação, trocas de saberes e fortalecimento das expressões culturais tradicionais de Cuiabá. Iniciado em março de 2025, o projeto consolidou-se como uma importante ação de valorização da cultura popular, reunindo os Grupos Siriri Elétrico, Raízes Cuiabanas, São Gonçalo Beira Rio, Flor Serrana e Flor do Campo, de siriri e cururu, em um processo contínuo de capacitação artística, técnica e de gestão cultural e entrega de certificado. Além do apoio de formação continuada para a “1ª Orquestra de Sucata”, com a Startup Social Anjos da Lata.
No mesmo local que foi lançado, assim encerrou-se o projeto, embaixo do mangueiral, no dia 06 de dezembro. Com duração de seis meses, foi realizado pelo Instituto INCA – Inclusão, em continuidade do que a organização já realiza há anos, desde 2009, com agentes e quintais da região Sul de Cuiabá, que ainda cultivam a Cultura Popular.
Esta é a quarta ação do Ponto de Cultura INCA, via emenda parlamentar impositiva do deputado estadual Wilson Santos, por meio de recursos da Secretaria de Estado de Cultura Esporte e Lazer (Secel-MT), e apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, garantindo a execução das atividades formativas e o acesso gratuito aos participantes. Também contou com o apoio do Sicoob União MT/MS, por meio do Edital Social 2025, para contemplar a comunidade.
“Tivemos a felicidade de conhecer o Instituto INCA, que abraça vários projetos da Cultura da nossa cidade. Para nós é uma alegria ver que todo o recurso que o INCA investe, ele transforma as comunidades, assim como é o intuito do cooperativismo: transformar pela cooperação, onde a gente devolve, em meio dos resultados, recursos para a comunidade. Cada projeto é diferente e tem sua identidade”, destaca a assessora de Cidadania e Sustentabilidade no Sicoob União MT/MS, Ana Flávia Sales de Quadros.
Alguns grupos do Ponto de Cultura INCA se inscreveram no Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade e todos passaram pela etapa estadual. O Raízes Cuiabana foi o único selecionado para representar Mato Grosso na fase nacional.
Esse é o prêmio mais importante do IPHAN, criado em 1987 para valorizar iniciativas de preservação e promoção do patrimônio cultural brasileiro.
PROGRAMAÇÃO
Ao longo de sua execução, participaram os grupos Siriri Elétrico, Raízes Cuiabanas, São Gonçalo Beira Rio, Flor Serrana e Flor do Campo, que vivenciaram uma programação diversificada de oficinas.
Entre elas, destacaram-se a Oficina de Coreografia, ministrada pelo professor Elthon D’Santos; a Oficina de Mídias Sociais, conduzida pela palestrante Lívia Freire; além das formações em Maquiagem Artística, com o professor Luís Cláudio, Dança Afro, Mariana Marioto, Percussão, por Marcelo Passos, Cenografia, com Naiane Silva Gonçalves, Figurino com Rita Ximenes, ainda Elaboração de Projetos e Organização de Produção e Network, realizadas por profissionais selecionados por meio de edital público, todos com experiência comprovada na área cultural.
No módulo de Network do Projeto Ponto de Cultura INCA, a presidente Cybele Bussiki, ensinou aos grupos de Siriri como construir relacionamentos estratégicos, criar parcerias duradouras e levar a arte, seja dança, música ou teatro.
As atividades foram estruturadas para atender às necessidades específicas de cada coletivo, respeitando suas identidades culturais e promovendo o aprimoramento técnico aliado à preservação das tradições. No campo artístico, a Oficina de Coreografia foi um dos grandes destaques, contribuindo significativamente para a evolução técnica e expressiva dos grupos, com foco em consciência corporal, precisão dos movimentos e presença cênica.
Um dos marcos do projeto foi a implementação da Orquestra de Instrumentos Alternativos, desenvolvida em parceria com o artista e educador Anselmo Parabá, junto a crianças e adolescentes do Parque Atalaia. A iniciativa utiliza materiais recicláveis como instrumentos musicais, promovendo não apenas a musicalização, mas também a consciência ambiental e o desenvolvimento social, com atendimento psicológico no campo socioemocional, garantindo acolhimento.
O encerramento foi marcado por um momento de celebração e reconhecimento dos resultados alcançados, evidenciando o crescimento artístico dos grupos e o fortalecimento das redes culturais. Durante o processo, os participantes puderam desenvolver suas habilidades de forma prática, desde a criação coreográfica até a organização de produções culturais, além de ampliar sua presença digital e estruturar projetos para futuras captações de recursos.
RECONHECIMENTO
A experiência foi reconhecida pelos participantes, como destacou dona Dilza, do grupo Raízes Cuiabanas. “A aula de coreografia foi ótima, o professor Elthon possui domínio no assunto. A família Raízes se sente grata à Cibelle e ao INCA por essa oportunidade, pelas trocas de ideias, conversas e diálogo. Foi magnífico!”, afirmou.
Outro momento simbólico foi o reconhecimento da trajetória do grupo Raízes Cuiabanas, que compartilhou seus 22 anos de história durante as atividades. “Gratidão por nos receber, Dona Dilza. É uma honra para o Instituto INCA poder compartilhar com o grupo essa trajetória”, destacou a coordenadora do Ponto de Cultura INCA em Rede, Nariel Iatskiu.
Com um público diverso, formado majoritariamente por pessoas de comunidades periféricas e tradicionais, o projeto também teve papel fundamental na inclusão social e no acesso à formação cultural. A maioria dos participantes possui renda de até dois salários-mínimos e encontrou nas oficinas uma oportunidade de qualificação, expressão artística e fortalecimento de suas identidades culturais.
O Ponto de Cultura INCA em Rede encerrou suas atividades deixando como legado uma rede fortalecida, grupos mais preparados técnica e artisticamente, e novos caminhos para a continuidade das ações culturais. Ou seja, a iniciativa reafirmou o papel da cultura como instrumento de transformação social, promovendo inclusão, pertencimento e valorização das raízes cuiabanas.